Monday, April 21, 2008

solidão

a coisa mais chata de estar aqui em LA-la-land é a solidão. esta cidade já é dada a estas coisas, e eu também não tenho feito muita força.
resolvi me resignar a idéia de que este meu tempo aqui vai ser de recolhimento e introspecção. então passei o fim de semana inteiro fechada em casa, lendo e trabalhando.
claro, não me aguento e tento quebrar o isolamento de alguma forma.
então tenho escrito emails pra todo mundo, teclado um monte pelo msn e pelo google talk, e falado pelo skype sempre que dá.
mas nada disso é a mesma coisa do que estar com amigos.
então tenho contado as semanas e os dias pra minha volta. fico planejando o que vou fazer quando voltar. saio comprando presentinhos pra fulano ou cicrano. e guardo minhas coisinhas dentro da mala pra quando eu puder fazer uso delas no brasil.
vidinha cigana. estocando pequenos prazeres e alegrias pra dividir com as pessoas que realmente importam em minha vida.
o resto é uma interminável sucessão de momentos e pensamentos.

Sunday, April 6, 2008

prioridades

tô aqui toda imbuida em tentar organizar a minha vida. mas tô percebendo que quanto mais coisa pra fazer eu tenho, mas barata tonta eu fico. vou me distraindo entre um milhão de possibilidades e acabo fazendo tudo pela metade. 
não que não faça isso nao brasil também. mas é que aqui isso fica mais claro pois não tem amigo pra ligar pra chamar pra sair, mãe pra ligar 5 vezes ao dia, e nem a facilidade de locomoção que eu tenho no brasil. então cada vez que penso em sair é sempre um processo...
por enquanto tenho me divertido em sair pra fazer compras. tem tanta coisa legal aqui que dá vontade de sair só pra ficar vendo às vezes. 
só que a mala já tá crescendo e eu já vou ficando bolada. pois além de compras, ainda tenho uns tantos livros e CDs guardados aqui que eu preciso levar também. 
e pra completar, tem a xêpa da gringolândia. a xêpa é quando algum estudante do prédio muda e vai deixando uma porção de coisa na portaria pra quem quiser pegar. 
pois uma mulher está se mudando e deixou sacas e sacas de roupa. as roupas dela nem são do meu tamanho e muito menos do meu estilo. mas ela deixou uns lençóis. e lençóis é sempre bom. o melhor foi o lençol de cetim vermelho que ela deixou. caraca! aquela coisa meio brega, meio putinha....não resisti e resgatei pra mim! nem sei se vou usar. acho que sim. pois adoro vermelho e adoro cetim. mas putz...ainda assim é meio mico. imagina se eu começo a namorar um cara e o indivíduo vê isso? o que vai pensar de mim? ha, ha! no fundo...caguei. nunca tive um lençol assim, nem conheço alguém que tenha, e tô achando o máximo até agora!! 
no mais, hoje de manhã fui a venice beach. só de ver o mar eu já fiquei mais feliz. venice foi um dos primeiro lugares que eu aprendi a amar em la-la-land. lá é outra dimensão, outra coisa, outro mundo, sei lá. voltei toda felizinha no onibus, cantarolando os novos baianos que eu tava ouvindo no meu ipod. 
enfim, é a vida que segue mansa por aqui. 

ps: rosinha, este post é dedicado a você que só faz mandar email coletivo, toda metidona aí de madrid!! 

Wednesday, April 2, 2008

busy

tô aqui na gringolândia mais uma vez. uma porção de coisas pra fazer - aula, leituras, alunos, papeladas, conferências. fazia tempo que eu não virava uma pessao tão ocupada assim. é bom. tava precisando disso mesmo - cuidar da minha vida, tocar pra frente e arejar a cabeça.
não posso negar que aqui é um lugar solitário. mas ando tão ocupada com tudo que nem tô achando tão ruim.
e mal ou bem tem uns amigos aqui. ontem saí com umas loucas pra jantar num restaurante chique e comemorar o primeiro de abril (que aqui chama "april fool's day"). tomamos uns drinks e ficamos contando as histórias de alguns dos "fools" que cruzaram nosso caminho. foi engraçado até. mas eu, rainha das gafes, encontro um aluno meu e começo a apontar pra ele - é meu aluno, é meu aluno. o pobre vem na mesa falar comigo, meio sem graça e meio achando graça da minha goiabice. mas o pior é que a namorada dele era nossa garçonete...sei lá, mas acho que ela me entendeu mal.
de qualquer forma, perdi toda moral de professora.
mas também que se dane - não vou mais morar aqui mesmo. então tudo tá com gostinho de última vez.
no mais, já comprei vários galões de água, pro caso de rolar o terremoto...

Friday, March 28, 2008

na gringoland

cheguei aqui em LA-la-land hoje. uma viagem longíssima e chata pacas.
mas o pior é ficar sozinha aqui e com o coração pesado, pesado.
nem sei mais o que dizer, viu? só que a única coisa boa disso tudo é que finalmente eu vou poder deitar na cama e dormir muuuuuuuuiiiito.

Thursday, March 13, 2008

CDA

ando com uma preguiça enooorme de usar as minhas próprias palavras....
essa eu roubei do blog do nassif, mas foi escrita pelo mestre:

AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

Tuesday, March 11, 2008

o último vôo do flamingo

"Há aqueles que nascem com defeito. Eu nasci por defeito. Explico: no meu parto não me extraíram todo, por inteiro. Parte de mim ficou lá, grudada nas entranhas de minha mãe. Tanto isso aconteceu que ela não me alcançava ver: olhava e não me enxergava. Essa parte de mim que estava nela me roubava de sua visão. Ela não se conformava:
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas que só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo do tempo, falo da água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento? Em que dia exacto nos nascem os filhos?"
Mia Couto

Tuesday, March 4, 2008

finalmente os acentos!!

fiz uma consulta transatlântica com o mermão e finalmente aprendi a usar acentos no mac. segundo ele acentos é coisa do passado. já eu acho que é da língua portuguesa!!! tem que usar e pronto.